Opa! Porquê não, né mesmo?
E foi exatamente assim que eu entrei em mais uma daquelas aventuras que só a senhora minha mãe é capaz de criar! Da primeira vez, e isso lá em meados de 1998, ela me leva para o sertão do nordeste para participar do programa Universidade Solidária. Na segunda ela me enfia em uma ilha pseudo-socialista no meio do oceano Atlântico! E agora, porquê não irmos para o núcleo do caos chamado carinhosamente de Bolívia?
Os planos eram os melhores! Juntei dinheiro por dois meses para poder fazer compras e mais compras, pensei até em preparar uma apresentação para o congresso, entrei em contato com os bolivianos e a animação estava tão grande que por um momento eu me esqueci de "pra onde" eu estava indo! E tudo tendeu a correr bem, eu fui de carro com a mãe até Corumbá, tentei, sem sucesso, roubar a internet sem fio do vizinho e quando vi, ja era 12:45 de sexta-feira e eu estava na ferroviária caótica de Puerto Quijaro! Não sem antes fazer uma pequena via-sacra a procura de "la permissión" para adentrar ao país... como se precisasse!
Passagem em mãos? Então prepara que o trem está chegando! E quando ele chegou... TENSO! É só o que eu pude exprimir em um sorriso que dizia "ainda da tempo de dar meia volta?"! Enfim, vou tentar descrever o que era aquele trem, sabiamente batizado de "TREM DA MORTE"! Não passava de vários e vários vagões verde-oliva, sem ar condicionado, o que obrigava a gente a abrir as janelas e receber a boa e limpa poeira boliviana na fuça a viagem inteira (leia-se, 21 horas), janelas estas que ficavam na altura da sua bunda, ou seja, um passo em falso e TIBOFT pra fora do trem! Acha que é só isso? Então senta que lá vem história! Pois além do problema da poeira e da janela, ainda tinha os chacoalhões mestres que fazia todo mundo ficar com o tobis tão apertado que não passava nem ar amanteigado. A cada solavanco era um que gritava "VAI DESCARRILHAR!" E falando em descarrilhar, e os banheiros que ficavam entre um vagão e outro, ou seja, se neguin estivesse ali e o trem descarrilhasse, já ficasse por ali mesmo... calças marrons ajudam! Ok, continuando... A cada cinco minutos passava uma legião de boliviano vendendo agua, refrigerantes, biscoitos, chicha e PASMEM, espetinho de frango, frango frito, marmitex de frango, e todos os quitutes temperados com a mais pura poeira boliviana! E eles passavam gritando ALTO, ou seja, dormir foi um luxo para poucos!
E quando a noite chegou minha gente? Que nós passávamos pelos povoados mais medonhos que este planeta poderia produzir, com as ruas escuras e bolivianos que surgiam no meio da escuridão como zumbis em um filme de Romero? Então era o pânico geralizado porque quando eles surgiam, era melhor fechar as janela rápido para não ser roubado! Acha que eu estou exagerando? Então senta e espera um pouco ae neguin! E nessa tensão a viagem correu, vinte e uma horas de pura tensão, até que finalmente chegamos em Santa Cruz!
ÊÊÊ SANTA CRUZ, cidade bonita? Vocês me perguntam, e eu resondo: Lindamente porca, podre e caótica! Pensem em uma versão ampliada de Puerto Quijaro, então, é isso aí! E o pior, é MUITO GRANDE e o caos segue na mesma proporcionalidade! Lembram-se quando eu citei os roubos, então engole essa: Chegamos, fomos pegar um taxi (leia-se, banheira com rodas) e nos separamos do nosso grupo. Fomos eu, Ju e a mãe em um, e as outras meninas em outro, então, chegamos no hotel e as meninas não chegavam, estavam demorando demais. Adivinha o que aconteceu? Sim caros amiguinhos, elas foram assaltadas pelo taxista, que levou TODO o dinheiro delas e as câmeras digitais! Assim, logo na chegada, como um cartão de boas vindas! Resultado, além de uma histeria coletiva inicial, passamos boa parte do dia na INTERPOL... adiantou? PORRA NENHUMA! Mas é melhor do que deixar quieto! Por um lado positivo eu tive uma aulinha de processo penal boliviano... pensando bem, esquece, serviu pra porranenhuma mesmo!
Então tinhamos que providenciar dinheiro pras meninas, logo, lá se foram minhas economias! OOO DELICIA! Junte isso a um pânico de pisar nas ruas que fazia a gente ter que andar em grupo grande, o que é um saco, porque as meninas queriam ver artesanatos e roupas, enquanto eu era o unico que pirava nas lojas de mangá. Cu de rola é pouco! Mas o congresso começou e as palestras foram legais! Treinei meu espanhol e ele está bem bom! Melhor do que eu achava, melhor do que em Cuba, por exemplo! Mas assim, eu optei por não sair a noite nas boates e barzinhos... Um pq eu nao curto barzinho, e outra... Kra, se ja assaltaram de manhã, cheio de gente em volta... OI! Ta bom que eu ia me dar o luxo de dar mole a noite naquela city from hell! Então nos restava comer, e graças a Deus achamos uns restaurantes perfeitos, santo Picollo, rogai por nossos estômagos!
A viagem se resumiu a isso: palestras, comer no Picollo, visitar as feiras de artesanato do centro e perceber que de barato ali, só a comida mesmo, o resto não valia tanto a pena assim. Comprei dois casacos pra mim por 50 reais cada um e, isso eu conto daqui a pouco! Porque eu preciso citar que a cada dia que se passava, um do nosso grupo aparecia assaltado, em todos os horários, de todas as formas... E a gente reclamando do Rio de Janeiro ein? Eu, a mãe e a Ju não fomos assaltados por milagre, ou pq o povo me via com elas e respeitava, enfim, vai saber! É proteção de lá de cima mesmo!
Então iamos embora! OPA! GRAÇAS A DEUS! Mas eu coloquei uma coisa em mente: Só respirar aliviado quando cruzar a fronteira, porque tinha muito chão ainda! E entramos no trem... E OOOHHH! Era uma maravilha! Por conta de 4 reais, repito, 4 reais, a filha da puta da mulher que comprou nossas passagens, não comprou para este trem para irmos! Eu rezo pela mãe dela até hoje! Enfim, era super confortável, tinha ar condicionado, filme de bordo, vagão-bar, vagão restaurante, era muito bom mesmo! E todo mundo veio super feliz, aliviados que a fria tinha acabado, até que começamos a perceber uma movimentação estranha.
Um menino encapuzado, de no máximo 14 anos, cruzava e descruzava o vagão, então ficava parado entre um vagão e outro, virado para canto e ali ficando por bons minutos. Eu estava na ultima poltrona e virei pra vê-lo. Quando eu fiz isso, o muleque virou pra mim, as pupilas do tamanho de uma jabuticaba. Isso minutos antes de um menino do nosso grupo voltar desse espaço entre vagões com a notícia que o guri estava fumando crack. Daí, pânico geral denovo! E o medo do muleque surtar? Tivemos que chamar o policial do trem pra cuidar do guri. Se adiantou ou não, nunca soubemos, mas ele nunca mais ficou andando pelo nosso vagão.
E chegamos em Puerto Quijaro de ré! SIM! De ré! Eu catei minhas malas e pulei do trem! Atravessamos a fronteira e eu, como se um fardo de 300 mil quilos tivesse sido tirado das costas, virei pra linda e organizada Bolívia e dei uma banana tão linda, mas tão linda que me emociono só de lembrar!
Pra terminar este post imenso de quarta, lembra o qe eu falei do casaco de 50 reais? Pois não é que eu achei o MESMO CASACO NA FRONTEIRA POR 30? É de cair o tobis da boomda!
Então foi esta a minha viagem para Bolívia! E da próxima vez que a mãe me chamar pra uma viagem, só direi uma coisa: CORRÃO!
AUIHIAHIUHAIUHIAHUIAHIUHUAIUAHUIHAIUHAUIHUIAHIUAHIAUHIUAHUIAHUIAHIAHIA!!!!
AGORA, CONTINUEM ACOMPANHANDO AS TWITTADAS NO POST ABAIXO!
|
|
|||
![]() | |||
|
|||